sábado, 2 de novembro de 2013

Textos de um Esquecido #005

Me sinto uma folha, moço. Uma folha que era pura e foi lotada de palavras duras, lotada de ilusão. Uma folha que foi útil em um determinado momento, mas por conter tantos erros passou a ser insignificantes minutos depois. Me sinto usada, ameaçada e sendo esquecida como uma carta de amor que morreu por carregar tantas lágrimas aflitas que ninguém se deu ao trabalho de interpretar. Me sinto os olhos vazios que ninguém fez questão de se afogar. Um amor clichê transcrito em alguns versinhos sem graça escritos pelas mãos calejadas de um poeta sofrido. Um caos ambulante procurando abrigo. Me sinto sem saber se sou capaz de sentir, sem saber ao menos se cheguei a existir. Se chego a ser algo, sou muito pouco, e o pouco que consigo ser é insignificante. Sou antônimo de paz e risada, sujeito inexiste de uma frase constituída por apenas uma palavra, e essa palavra define o tudo-pouco que sou: nada.

- Beija-Flor.

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