Havia esse garoto, conhecido por ser extremamente romântico. Achava
tudo tosco, mas ao mesmo tempo adorava aquelas tolas atitudes amorosas. E as
fazia. Se apaixonou, e viveu meses e anos ao lado da pessoa que ele amava. E
era bom. Mas então veio a realidade, e ele notou o quanto relacionamentos eram
complicados. Via tudo desmoronando ao seu redor. Ele se machucava, e ao mesmo
tempo machucava de volta. Até que um dia ambos cansaram, e simplesmente
romperam. E o garoto ficou só, alimentando-se das amargas lembranças que a
garota tinha deixado. E foi então que seu coração começou a endurecer, criando
uma camada de gelo protetora ao redor do seu órgão de carne fresca, para não se
apegar, não machucar. Não ser machucado. Havia uma pedra fria e insensível onde
antes batia um coração cheio de sentimentos. E por mais que aquilo incomodasse
as pessoas próximas, o garoto estava bem. Sentia-se livre pra fazer o que não
teve coragem de fazer antes. Errava porque queria. Tinha consciência de tudo o
que fazia. E o errado fazia com que se sentisse jovem. Vivo. E, de uma maneira
estranha, feliz consigo mesmo. Ele se relacionava com as pessoas, mas pulava
fora quando começava a ficar sério. Porque ele não conseguia mais gostar de
alguém o suficiente para tentar. Mas o que parecia bom acabou tornando-se seu
tormento com o tempo. De repente ele se viu só. Morreu com seu coração de gelo,
apenas por medo de sentir. Medo de se entregar. De se apegar. De machucar... E
ser machucado.
- Lucas Carvalho.
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